O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou, nesta quinta-feira (20), o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A cadeira estava aberta desde a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.​

A informação foi oficializada através de nota do Palácio do Planalto, que confirmou a publicação da indicação em edição extra do Diário Oficial da União ainda hoje.

​A escolha de Messias consolida a estratégia de Lula em seu terceiro mandato de optar por nomes de estrita confiança pessoal para a Corte, seguindo o padrão das indicações anteriores de Cristiano Zanin e Flávio Dino. Além da lealdade, a nomeação de Messias é vista politicamente como um gesto aos evangélicos, segmento religioso no qual o advogado é inserido e onde o presidente enfrenta maiores índices de rejeição.

Afilhado político da ex-presidente Dilma Rousseff, Jorge Messias construiu uma trajetória de alinhamento ao PT e ao governo. Segundo interlocutores, sua conduta leal, mesmo em momentos de crise política, e sua proximidade com Lula foram determinantes para cacifá-lo ao posto, superando a disputa anterior em que perdeu a vaga para Flávio Dino.

​O nome de Jorge Messias agora será submetido à aprovação do Senado Federal. A tramitação ocorre em um momento de alerta para o governo. Na semana passada, a recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi aprovada por uma margem estreita — apenas quatro votos acima do mínimo necessário —, o que acendeu a luz amarela no Planalto.

​Nos bastidores, a articulação política sabe que terá trabalho. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tinha preferência pela indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga. Lula chegou a conversar com Pacheco nesta semana antes de bater o martelo.

Líderes da base governista admitem que a aprovação de Gonet só não se transformou em uma derrota inédita graças a uma operação emergencial e à atuação direta de Alcolumbre. Agora, o foco se volta para garantir a maioria necessária para Messias, evitando surpresas no plenário.

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