O que era para ser uma demonstração de força e retomada de protagonismo político transformou-se em um retrato do isolamento do ex-prefeito Manoel Sukita. Conhecido historicamente por arrastar multidões em Capela, Sukita convocou a população para um ato em sua emblemática “Casa Amarela” com o objetivo de declarar apoio ao deputado federal Ícaro de Valmir (PL), mas o resultado foi um fiasco de público.
Segundo imagens e relatos de presentes, o evento não conseguiu reunir sequer 50 pessoas. A baixa adesão teria deixado o próprio homenageado, Ícaro de Valmir, visivelmente decepcionado, contrastando com a promessa de “massa” que o ex-líder político propagava possuir.
Além do esvaziamento popular, o movimento de Sukita escancara uma grave contradição ideológica e partidária. Atualmente, o grupo político do ex-prefeito está abrigado no Partido dos Trabalhadores (PT) de Capela. Sua filha, Isadora Sukita, disputou a prefeitura pela sigla no último pleito, e seu sobrinho, Gabriel Sukita, é vereador de mandato pelo partido do presidente Lula.
No entanto, ao declarar apoio a Ícaro de Valmir que, embora aguarde a janela de transferência para acompanhar o grupo de seu pai, Valmir de Francisquinho, ainda é filiado ao Partido Liberal (PL), Sukita comete o que nos bastidores é visto como uma “traição” eleitoral, pedindo votos para o PL enquanto mantém os pés PT.
A falta de público na Casa Amarela reflete uma curva descendente na influência de Sukita. Nas eleições de 2022, quando apoiou Gustinho Ribeiro, ele conseguiu transferir apenas 1.366 votos em Capela, um número já considerado modesto para quem dominava a política local. O episódio recente sugere que a capacidade de mobilização encolheu ainda mais.
A confusão no grupo de Sukita se estende à Deputado Estadual. Enquanto ele tenta costurar apoio para Zezinho Sobral ou Zominho, a desarticulação interna ficou evidente. Zominho já anunciou “em alto e bom som” que o vereador Gabriel Sukita (sobrinho do ex-prefeito) já fechou acordo com ele, indicando que Sukita pode estar perdendo o controle até mesmo sobre os mandatos de sua própria família, correndo o risco de dividir os poucos votos que lhe restam.

