O Brasil iniciou o ano de 2026 com as contas públicas no vermelho. Nos primeiros 15 dias de janeiro, as despesas públicas totalizaram R$ 233 bilhões, superando a arrecadação de tributos no mesmo período, que somou R$ 203,7 bilhões, segundo o Impostômetro.

​Os dados foram levantados pela plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Do total gasto até o dia 15, a maior fatia corresponde à União, com R$ 94,7 bilhões, seguida pelos municípios (R$ 72,6 bilhões) e pelos estados e Distrito Federal (R$ 65,9 bilhões). Os valores incluem despesas com pessoal, encargos sociais, investimentos e custeio da máquina pública.

Para especialistas, o ritmo acelerado dos gastos acende um alerta para a sustentabilidade fiscal. O economista André Galhardo adverte que o país corre o risco de ficar sem margem para despesas discricionárias (investimentos e custeio não obrigatório) já em 2027.

“Algumas despesas ainda seguem um ritmo mais acelerado do que o arcabouço determina. Esse é o grande risco fiscal. Os gastos com previdência, por exemplo, crescem num ritmo muito superior ao permitido, ocupando o espaço de outros investimentos”, analisa Galhardo.

​Segundo o levantamento, até a última segunda-feira (19), as despesas apenas com a Previdência já somavam R$ 77,2 bilhões.

A CACB defende a urgência de uma reforma administrativa para melhorar a eficiência do Estado. Em nota, a entidade afirmou que a ausência de reformas estruturais compromete as contas públicas.

O vice-presidente jurídico da CACB, Anderson Trautman, destaca que o descontrole dos gastos pressiona a carga tributária e prejudica a geração de empregos. “Se nós fôssemos mais eficientes, precisaríamos de um custo tributário menor. Não é o que ocorre, ocorre o inverso”, criticou.

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