Presidente do União Brasil em Sergipe, André Moura é pré-candidato ao Senado na chapa majoritária ao lado do governador Fábio Mitidieri (PSD) e do deputado Jefferson Andrade (PSD) e detalha as bandeiras que pretende levar a Brasília: o combate ao feminicídio, a redução da maioridade penal, a prisão perpétua para crimes hediondos, além do fortalecimento da saúde pública com policlínicas regionais no interior.
Ex-prefeito, ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-secretário de Estado no Rio de Janeiro, ele cita os mais de R$ 3 bilhões em investimentos que viabilizou para os 75 municípios sergipanos como prova de sua capacidade de execução. Na entrevista, André Moura também comenta a parceria com a filha, a deputada federal Yandra Moura (União), que disputa a reeleição, e projeta o crescimento do União Brasil no estado para o pleito de 2026. Confira o conteúdo completo:
ANDRÉ MOURA
1. Em 2026, Sergipe decide simultaneamente o governo do estado, duas vagas ao Senado e a bancada federal. Como essas disputas se conectam dentro da sua estratégia de campanha?
AM – Essas disputas não são corridas isoladas. Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa formam uma engrenagem política única. O governo estadual define a direção administrativa e o projeto econômico; o Senado e Câmara garantem que Sergipe tenha voz firme nas grandes decisões em Brasília, especialmente no orçamento e nas reformas, fazendo a ponte junto ao Governo Federal para conquistar recursos para o nosso estado. Uma chapa forte e unida em todos esses níveis é o que garante que a nossa população não fique refém de acordos fragmentados. Vejo esse conjunto como um projeto único para Sergipe. Não são peças soltas.
2. Quais temas o senhor considera que vão decidir a eleição para o Senado em Sergipe este ano?
AM – Na minha visão, várias pautas são importantes: o debate contra o feminicídio, a redução da maioridade penal, a melhoria da qualidade da Saúde pública, o fortalecimento do municipalismo, entre outros. O sergipano já reconhece os avanços na segurança, graças à política de tolerância zero com a marginalidade liderada pelo governador Fábio Mitidieri, mas ainda há gargalos urgentes que exigem atenção federal, como o combate ao feminicídio e a redução da maioridade penal. Na saúde, a entrega do Hospital do Câncer foi uma grande vitória da gestão estadual, mas precisamos expandir a rede de exames e consultas para mais perto da casa das pessoas. Por isso, defendo a implementação das policlínicas regionais. No municipalismo, o prefeito precisa de um parceiro em Brasília que conheça os caminhos, abra portas e resolva os problemas. Na geração do emprego e renda, defendo políticas públicas com oportunidades para os jovens chegarem ao mercado de trabalho. Quem não apresentar respostas práticas nesses eixos vai ficar só no discurso — e o povo cansou de promessas vazias.
3. Como pretende diferenciar sua pré-candidatura das demais neste pleito?
AM – Eu trago uma bagagem testada e resultado comprovado. Fui prefeito, deputado estadual, deputado federal — quando liderei a bancada do Governo no Congresso — e secretário de Estado no Rio de Janeiro. Quando apresento uma proposta, ela tem base real. Como deputado federal, viabilizei mais de R$ 3 bilhões em investimentos para todos os 75 municípios sergipanos, sem olhar a sigla do prefeito. Foram mais de R$ 800 milhões exclusivamente para Aracaju. Esse é o tipo de diferencial prático e mensurável que não se copia da noite para o dia.
4. O que o motivou a disputar uma vaga no Senado, depois de uma trajetória como deputado federal e secretário de Governo no Rio de Janeiro?
AM – A experiência no Executivo do Rio me deu ainda mais capacidade administrativa. Atuar em um dos estados mais populosos e complexos do país, enfrentando desafios, foi um teste de fogo. Essa vivência me trouxe uma maturidade executiva muito grande. Volto a Sergipe sabendo exatamente como as engrenagens do Poder Executivo funcionam, como destravar grandes projetos e como transformar a força política do Senado em investimentos reais na ponta, para melhorar a vida das pessoas.
5. Quais são suas três principais prioridades legislativas caso seja eleito?
AM – Como falei anteriormente, não diria só três, mas destacaria o combate ao feminicídio, a redução da maioridade penal, o fortalecimento da Saúde, a geração de emprego e renda, e o municipalismo. No Senado, vou liderar um debate que a sociedade exige: a viabilização da prisão perpétua para crimes hediondos e feminicídio. Conheço as barreiras jurídicas e o debate constitucional, mas o papel de um senador é justamente questionar e propor as reformas profundas que o país precisa, sem medo de enfrentar setores que só enxergam os direitos do agressor e ignoram as vítimas. Paralelamente, atuarei em frentes imediatas, como o desarquivamento da redução da maioridade penal para 16 anos — proposta de minha autoria que foi a única aprovada no plenário da Câmara até hoje e que foi arquivada no Senado — e o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para réus com medidas protetivas. A outra prioridade é o financiamento da saúde. Minha meta é garantir os recursos federais para que o Estado e os municípios criem policlínicas regionais no interior, aproximando exames e médicos especialistas, como pediatra e cardiologista, da população, o que reduz drasticamente as filas e o deslocamento compulsório para Aracaju.
6. O senhor tem defendido publicamente pautas como o endurecimento penal e a jornada 5×2. Como pretende avançar com essas propostas no Congresso?
AM – A defesa da jornada 5×2 é uma pauta de modernização do mercado e de dignidade familiar. O trabalhador precisa de tempo para descanso, convívio social e consumo, o que também faz a engrenagem econômica girar. Mas defendo essa transição com estrita responsabilidade. Para que a mudança não sufoque o pequeno empresário — o dono da padaria, do salão de beleza ou do comércio do interior, que também trabalha duro para sustentar sua família —, o governo deve ser um parceiro facilitador. Proponho que essa redução venha atrelada a uma política nacional de desoneração da folha de pagamento para as empresas que adotarem o modelo, além de linhas de crédito subsidiadas em bancos públicos para micro e pequenas empresas. É possível avançar com sensibilidade social e competência fiscal, sem gerar desemprego. Sou defensor de todos os trabalhadores: tanto daquele que tem a carteira assinada, quanto daquele que assina a carteira. No tocante ao endurecimento penal, o foco é acabar com a impunidade e com as brechas jurídicas que soltam criminosos perigosos. A sociedade exige respostas firmes, e o parlamento precisa responder aos anseios da sociedade. É uma questão que se resolve aprovando leis mais duras.
7. Como pretende equilibrar a atuação em Brasília com a defesa de demandas específicas dos municípios sergipanos?
AM – O prefeito e o cidadão que moram no interior não querem saber de discussões teóricas ou de brigas ideológicas em Brasília. Eles querem resolver o problema que bate à porta deles todo dia. Minha marca sempre foi a resolutividade. Quando destinei mais de R$ 3 bilhões em investimentos para os municípios sergipanos, fiz isso porque a falta de um posto de saúde, de uma ambulância, de uma creche ou de asfalto não escolhe partido. O sofrimento das pessoas não tem sigla. No Senado, serei o canal direto para que as demandas dos 75 municípios tenham resposta imediata. Meu gabinete continuará aberto a todos os gestores, focado unicamente no resultado concreto. O sergipano me conhece como o parlamentar que resolve, e é esse perfil de ação que levarei para o Senado.
8. Sua filha, a deputada federal Yandra Moura, também disputa a reeleição. Como o senhor avalia o desafio de conduzir duas candidaturas da mesma família simultaneamente?
AM – Tenho um orgulho imenso da Yandra. Ela construiu uma trajetória própria, legítima, foi a deputada federal mais votada da história de Sergipe em 2022 e conduz seu mandato com uma independência que eu respeito profundamente. Somos família, mas nossas candidaturas são autônomas; cada um responde pelo seu trabalho e pelo seu compromisso com o eleitor. Quem lidera a campanha de Yandra é ela mesma, com sua própria força de trabalho. Naturalmente, pela experiência que acumulei, sempre que ela me pede um conselho ou uma opinião, estou pronto para ajudar, mas o brilho, as decisões, e o mérito do mandato são inteiramente dela.
9. Como pretende estruturar sua agenda de campanha pelo interior do estado nos próximos meses?
AM – Minha presença no interior de Sergipe nunca foi sazonal; sempre foi uma constante na minha vida pública. Mesmo no período em que estive colaborando na gestão pública do Rio de Janeiro, eu mantive uma rotina intensa de viagens a Sergipe, percorrendo os municípios ao lado do governador Fábio Mitidieri, dos nossos deputados, prefeitos e vereadores aliados, conversando com as pessoas, olhando nos olhos delas, ouvindo seus anseios. Minha pré-campanha é a continuidade disso: presença física, acompanhando de perto as demandas locais. Não construo campanha apenas em palanque. Quando estiver no Senado, vou converter essa escuta em soluções rápidas e compromissos cumpridos, exatamente como fazia na Câmara Federal.
10. Como descreveria hoje sua relação política com o governador Fábio Mitidieri?
AM – É uma relação baseada na confiança, na lealdade e, acima de tudo, na capacidade de trabalho. Fomos colegas na Câmara Federal e consolidamos essa parceria em 2021, quando unimos forças numa aliança por Sergipe. Hoje, o que nos move é uma sintonia muito clara em favor do estado: Fábio tem um ritmo vibrante na execução do governo estadual, e eu tenho a força política de quem resolve e traz os investimentos de Brasília que Sergipe precisa. É uma relação de respeito mútuo e de palavra cumprida, onde o maior beneficiado é o povo sergipano. Quando o governador e o senador jogam no mesmo time, com foco total no desempenho e no resultado, o estado avança mais rápido e a vida das pessoas melhora de verdade.
11. O que representa, na prática, integrar a chapa majoritária governista ao lado de Mitidieri e Jefferson Andrade?
AM – Representa formar um time de entrega que une forças complementares para acelerar o desenvolvimento de Sergipe. Não vejo essa chapa apenas como uma composição política, mas como um pacto pelo desempenho. O governador Fábio Mitidieri lidera o Executivo estadual com um ritmo forte de obras e serviços; o deputado Jefferson Andrade garante o equilíbrio e a estabilidade na Assembleia Legislativa; e o nosso papel na vaga do Senado é garantir a força política e a articulação federal em Brasília para viabilizar os investimentos. Integrar essa chapa, junto com nossos suplentes Ricardo Vasconcelos e Selma França, e todo o nosso agrupamento, é dar ao cidadão a certeza de um alinhamento que destrava burocracias e resolve os problemas do estado com muito mais rapidez e eficiência. É a união de quem sabe trabalhar e tem pressa em entregar resultados.
12. Em que medida o apoio do governador e de sua base política influencia sua estratégia de campanha pelo interior do estado?
AM – Influencia diretamente na velocidade e na eficiência do resultado na ponta. Essa sintonia fina com o governador Fábio Mitidieri e com as lideranças municipais — prefeitos, vice-prefeitos e vereadores — não é apenas uma aliança para somar votos, é uma parceria de trabalho. Quem vive a realidade do interior sabe o valor de ter um canal direto com quem conhece Brasília e sabe como as coisas funcionam por lá. A parceria entre mim e o governador Fábio, o “AM e FM” que as pessoas carinhosamente repetem nas ruas, significa estar na mesma frequência de trabalho. Quando o município, o Estado e o Senado jogam juntos, o projeto sai do papel, o investimento chega e a vida do cidadão melhora. Essa união encurta caminhos e potencializa a nossa força para entregar resultados de verdade em cada canto de Sergipe.
13. Como presidente do União Brasil em Sergipe, que balanço faz do crescimento do partido no estado nos últimos anos?
AM – É um balanço extremamente positivo e que reflete uma escolha muito clara do eleitorado sergipano por desempenho e resultado. O União Brasil saltou de nove para 27 prefeitos eleitos, além de 15 vice-prefeitos e 161 vereadores, tornando-se o partido que mais cresceu no estado. Mas esse crescimento não aconteceu por acaso ou por mero arranjo político; o partido cresceu porque abrigou lideranças que a população reconhece como realizadoras, gente que resolve os problemas reais das pessoas. Além disso, consolidamos a federação com o Progressistas, o que nos dá uma musculatura gigante no Congresso Nacional. Para Sergipe, ter o presidente de um partido desse tamanho disputando o Senado significa ter mais peso político, mais portas abertas e muito mais força para destravar as demandas do estado em Brasília. Essa força partidária serve a um único propósito: gerar resultados práticos para a vida das pessoas.
14. Quais foram os critérios para a formação das chapas de deputados estaduais e federais do União Brasil neste pleito e qual a meta do partido para 2026, em número de cadeiras no Legislativo estadual e federal?
AM – O critério central é a capacidade de trabalho: buscamos nomes competitivos, com forte representatividade regional e, acima de tudo, perfil de quem resolve na ponta. A composição final das chapas será selada nas convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, seguindo o calendário do TSE e mantendo o alinhamento com o governador Fábio Mitidieri. Quanto às metas, não cravamos números exatos antes do fechamento das atas, mas o objetivo é ampliar nossas bancadas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal e, claro, conquistar um espaço no Senado. A meta real é consolidar o União Brasil como uma força política expressiva de Sergipe, elegendo parlamentares preparados para dar sustentação ao governo estadual e garantir a liberação de recursos em Brasília.

