A confirmação do show do cantor Natanzinho Lima para a Festa da Padroeira de Brejo Grande, no próximo dia 8 de dezembro, acendeu um alerta sobre as prioridades da gestão municipal. O evento acontece em um cenário de colapso nos serviços públicos, onde a população enfrenta a falta de saneamento básico e medicamentos, enquanto a prefeitura investe pesado em entretenimento.

O cachê de Natanzinho Lima tornou-se um dos mais valorizados do país. Em levantamentos recentes, o artista cobrou R$ 600 mil em Januária (MG) e chegou a firmar contrato de R$ 700 mil com a prefeitura de Palmares (PE).

Enquanto o palco é montado, a cidade figura na lanterna do desenvolvimento. Brejo Grande obteve a pior nota de Sergipe no Índice de Progresso Social (IPS), com apenas 49,33 pontos. Dados do SNIS apontam que o município tem 0% de esgoto tratado, obrigando moradores a conviverem com valas a céu aberto. A falta de remédios e a demora em exames completam o cenário de abandono denunciado pela população.

Nos bastidores, o show ganha contornos que vão além da música. Recentemente, Éverton Lima, conhecido como “Fiote” e pai de Natanzinho Lima, lançou sua pré-candidatura a deputado federal.

Fiote confirmou ter fechado uma parceria política com o pré-candidato a Deputado Estadual Carlinhos Ferreira: “Antes de decidir eu já tinha fechado apoiar Carlinhos. Ele me apoia e eu apoio ele. Tipo uma casadinha de nós dois”.

Carlinhos Ferreira, irmão do atual prefeito Luiz Carlos e líder político do município, é peça-chave na engrenagem da administração. A coincidência entre a contratação do show do filho e a aliança política com o pai levanta suspeitas sobre o uso da máquina pública para fins eleitorais, transformando a festa da padroeira em um palanque antecipado para 2026.

Para o povo de Brejo Grande, resta a dúvida: o show é um presente para a cidade ou um acordo entre aliados, pago com o dinheiro de quem clama por dignidade?

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