Ao anunciar licença de 60 dias para atuar na coordenação política de campanhas, o prefeito de Lagarto, Sérgio Reis (PSD), faz um movimento que agrava a percepção de abandono administrativo numa cidade já marcada por desgaste, reclamações populares e sinais claros de reprovação da gestão.
A decisão ocorre em um momento delicado para o município. Enquanto o prefeito escolhe mergulhar no processo eleitoral, Lagarto convive com queixas sobre cobranças e taxas, críticas à condução da administração e problemas em áreas essenciais. Entre os casos que mais revoltam a população estão denúncias de escolas sem professores e a sensação crescente de que a Prefeitura tem falhado justamente onde o serviço público mais precisa funcionar.
O afastamento, portanto, não acontece em um cenário de normalidade. Ao contrário: ele vem quando a gestão enfrenta dificuldades visíveis e quando o cidadão cobra mais presença, mais comando e mais soluções. Em vez de concentrar energia para responder aos problemas da cidade, Sérgio decide sair de cena para assumir o papel de coordenador de campanhas, reforçando a leitura de que sua prioridade, hoje, está mais na política eleitoral do que na administração de Lagarto.
Ainda que tente suavizar o gesto com o argumento de que a vice-prefeita assumirá o comando interinamente, o problema político permanece. O povo não elegeu um prefeito para transferir a responsabilidade no meio do caminho enquanto vai cuidar de campanha. E faz menos sentido ainda quando a cidade acumula insatisfações, cobranças e episódios que expõem fragilidade na condução da máquina pública.
Na prática, a licença de Sérgio funciona como uma confissão política. Diante de uma gestão questionada, com serviços cobrados pela população e uma sensação de desalinho em áreas básicas, o prefeito escolhe se dedicar à articulação eleitoral de aliados. O recado é duro e direto: enquanto Lagarto enfrenta problemas reais, o prefeito troca a crise da cidade pelo palanque.
O movimento deve ampliar o desgaste de uma administração que já convive com sinais de rejeição. Porque, para a população, a conta é simples: se faltam respostas na cidade, se há cobrança excessiva, se há escolas sem professores e se a gestão não entrega o que prometeu, sair da Prefeitura para fazer campanha não parece estratégia. Parece desistência.

